E todas aquelas peças quebradas que eu consegui colar, vão ser jogadas denovo no chão?
Minha verdade é todo esse problema mesmo? Eu sei que (não) consigo te recusar dessa vez e deixar pra trás tudo aquilo que você tem de melhor, cicatrizes são feitas para nos fortalecer.
Eu queria recomeçar com alguma atitude onde não incluisse nenhum impulso, nenhuma emoção, nada que me fizesse olhar pra trás e acabei nem recomeçando com medo de falhar. Eu me freei. Todo esse tempo fiquei parada em uma estação como se nada pudesse me atingir e como se eu não conseguisse atingir nada até você reaparecer e balançar tudo aquilo que eu achei que já havia se transformado em pedra.
Mais uma vez. Pra sempre.
Toda saudade poderia ser recíproca. Pra eu fugir de todo aquele clichê só-deu-valor-quando-perdeu, eu não dei valor só quando perdi…Eu posso não ter demonstrado suficiente o valor que você tinha pra mim ou talvez eu tenha demonstrado demais, sei lá, tanto faz agora. O importante (ou irrelevante, quem sabe) é que eu aprendi os significados de algumas palavrinhas que eu não me importava antes, por exemplo, paciência, você sempre me pedia paciência em certas ocasiões e eu nunca te ouvia, hoje eu paro e penso, respiro e lembro de você. Outra palavra foi esperança, de que algo que terminou, quem sabe um dia pudesse se encontrar por aí numa esquina qualquer e voltar tudo aquilo que um dia prometeu ser sempre o que foi lá atrás. O ‘pra sempre’ seu que acabou nunca acabou pra mim, ficou escrito em algum lugar aqui dentro de mim esperando ser apagado ou reforçado outra vez.
A habilidade de pensar e não agir por impulso, é o que nos distingue dos animais.
Isso podia ser para todos os humanos, mas não é…
Pode até ser egoísmo, um pouco de egocêntrismo, sei lá, mas estou moldando meus passos para meu próprio bem mesmo. Em sentindo contrário ou talvez até em mão-dupla eu não sei, mas eu estou e sei que é disso que eu preciso. E já que ninguém pode julgar entre as linhas que eu escrevo, não me faço o esforço de tentar agradar ninguém agora além de mim, meu sorriso me faz tão bem!
E enquanto conseguir segurar isso no topo da lista das minhas vontades, sei que por menos que eu queira, acabo fazendo bem pra outro alguém, que não sei se existe ou se está do meu lado, não importa.
O que me importa nesse instante, são mudanças, pequenas ou grandes, fortes ou fracas, quero mudanças. Crescer com o pouquinho que levo de cada dia, de cada palavra, de cada atitude. Mudanças…Preservando a essência que eu carrego aqui dentro ainda que ninguém se importe, como eu disse desde o ínicio, o negócio é só comigo, o mundo que exploda lá fora…minha janela está fechada.
Pra mim, isso sim é de se apaixonar, palavras perfeitas da cena perfeita na época da loucura no Brasil, Lima Barreto é meu ídolo…
‘Amaciado um pouco, tirando dele a brutalidade do acorrentamento, das surras, a superstição de rezas, exorcismos, bruxarias etc., o nosso sistema de tratamento da loucura ainda é o da Idade Média: o sequestro. Não há dinheiro que evite a Morte, quando ela tenha de vir; e não há dinheiro nem poder que arrebate um homem da loucura. Aqui no Hospício, com as suas divisões de classes, de vestuários etc., eu só vejo um cemitério: uns estão de carneiros e outros de cova rasa. Mas, assim e assado, a loucura zomba de todas as vaidades e mergulha todos no insondável mar de seus caprichos incompreensíveis.’ DIÁRIO DO HOSPÍCIO - LIMA BARRETO


